07 setembro 2006

Caminho da Vida

O homem encontra-se no mundo. Quando criança é auxiliado pelos seus progenitores ou responsáveis diretos. A partir de uma certa idade, começa a questionar a sua presença neste mundo. Pergunta: por que nasci nesta família e não em outra? Por que estou neste país e não em outro? Por que vim como homem e não como mulher? Qual o sentido de minha vida? Por que todo esse sofrimento aos meus pés? Como não obtém uma resposta satisfatória, acaba se acomodando à sua situação e passa a viver a sua própria vida.

Aceitando-se tal qual é começa a agir. O agir por agir é fácil. O difícil é agir segundo princípios superiores, pois estes exigem maior preparação. Observe uma boa ação: ela sempre traz uma recompensa positiva. Se uma boa ação traz boa recompensa, por que, então, praticamos uma má ação? Será por falta de esforço, de fé, de confiança na Divina Providência? Ignorância das leis naturais? Negligência interior? Não resta dúvida que temos o livre-arbítrio, mas é ele responsável por todo o acontecimento?

Na ação diária, quando não olha ao derredor, quando não reflete o suficiente, o homem acaba cometendo muitos erros de julgamento. Se é muito devotado, acha-se o supra sumo da renovação e da inteligência; se pertence a uma entidade religiosa de renome, sente-se seguro e salvo; se é estudioso, julga-se o maior dos sábios. Este clima de auto-suficiência pode ocultar um grande engano: olhando somente para si, acaba esquecendo-se de que os outros podem estar praticando melhor o bem do que ele próprio.

As comparações feitas com relação à propagação da luz são muito importantes. Suponha um vaga-lume vangloriando-se de sua pretensa luz: ele coloca-se como o maior dos iluminados na Terra. Contudo, essa pequena iluminação é ofuscada por uma luz de vela. Esta, por sua vez, é ofuscada pela luz de uma lâmpada elétrica. O clarão da lâmpada é ofuscado pela luz de um holofote. E o próprio holofote é ignorado pela luz do Sol. Por isso, todo o nosso saber é relativo dentro da imensidão do que podemos conhecer.

A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Não nos esqueçamos de que há diversos dons, mas o Espírito do Senhor ilumina a tudo. Ou seja, fazendo com denodo a nossa obrigação, estaremos semeando em terreno fértil. Isto porque toda a vez que estivermos saindo de nós mesmos para auxiliar o próximo, estaremos semeando no campo do senhor para a imortalidade do espírito. Cada qual deve forjar o seu caminho, apesar de todas as asperezas da estrada a percorrer. Se cada um fizer a sua parte, o todo será beneficiado.

Tomemos a nossa cruz, esqueçamo-nos de nós mesmos e caminhemos ao encontro da grande transformação moral da humanidade terrestre.

São Paulo, 07/04/1999

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