13 setembro 2006

Aristóteles


Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagira, colônia greco-jônia, na península macedônica da Calcídia. Filho de Nicômaco, médico. Ainda criança, ficou órfão de pai e mãe. Quando contava 18 anos (367 a.C.) mudou-se para Atenas, o centro intelectual por excelência, e aí estudou 20 anos sob a orientação de Platão. Aos 50 anos de idade, abriu uma escola denominada de liceu, pela proximidade do tempo de Apolo Liceio. Foi tutor de Alexandre, o Grande. Anos depois, assim como Sócrates, foi acusado e condenado, mas fugiu para não permitir que Atenas pecasse duas vezes por causa da Filosofia. Os seus alunos chamavam-se Peripatéticos, quer porque tinham o costume de passear pelo jardim enquanto estudavam, quer porque o local fosse conhecido por Passeio (Peripatos).

A enciclopédia aristotélica distingue-se em quatro grupos: 1.º, os escritos e as doutrinas lógicas que servem de introdução geral a todo o sistema; 2.º, Filosofia especulativa, cujo fim é o verdadeiro supremo; 3.º, a Filosofia prática, cujo fim é a ação; a Filosofia criativa ou poética, cujo objeto é o produto artístico. A Filosofia especulativa compreende a Filosofia primeira, a Matemática e a Física; a Filosofia pratica distingue-se em Ética econômica e política; a Filosofia poética considera a arte e as formas específicas da Poesia e da Retórica.

O ponto básico da filosofia de Aristóteles é a sua divergência com relação à "Teoria das Ideias" de Platão. Ambos são realistas, mas Platão vê o seu realismo na "Teoria da Ideias", no mundo perfeito e imutável, no mundo das formas. Para Platão, o conceito já existe. O que temos que fazer é rememorá-lo. Aristóteles acha que o real é o sensível e que o conceito se forma pela abstração. Uma pessoa tem a forma de uma cadeira, outra pessoa tem outra forma de cadeira e uma terceira pessoa tem uma terceira forma de cadeira. Aristóteles pega todas as formas de cadeira, retira as diferenças e mantém o que é igual, formando o conceito cadeira, através de uma operação mental.

Platão estabeleceu os princípios da filosofia idealista, em que havia uma superioridade da razão. Com Aristóteles, o foco da atenção transfere-se para a experiência. Embora aluno de Platão, deste discordava fundamentalmente, chegando a ponto de dizer que ele era amigo de Platão, mas muito mais da verdade. O gênio de Aristóteles é, acima de tudo, ordenador, lógico. Uma de suas grandes ideias é a de classificação que permite agrupar os seres de acordo com suas semelhanças ou diferenças. Também se deve a ele a criação da lógica como disciplina própria.

O realismo aristotélico pode ser agrupado nos seguintes itens: crítica a Platão, a origem da filosofia, o princípio de identidade, as causas do ser, o ser como substância, o acidente, o movimento, Deus e sua natureza, a ordem e eternidade dos movimentos naturais, o homem como animal político e a virtude como justa medida. Este realismo dominou absolutamente a Idade Média, principalmente no período da Escolástica, e mais precisamente com Santo Agostinho. O uso exagerado do silogismo é uma prova cabal desse predomínio.

De acordo com Ramiro Marques, em O Livro das Virtudes de Sempre: Ética para Professores, Aristóteles constitui ainda hoje a referência mais importante para quem queira estudar e escrever sobre ética. Esses ensinamentos estão catalogados em suas três grandes obras: Ética a Nicômaco,Ética a Eutidemo e Magna Moralia. Magna Moralia, também conhecida por Grande Moral ou Grandes Livros de Ética, embora pouco editada e pouco conhecida, é uma obra de grande qualidade, pois complementa e aprofunda o que Aristóteles escreveu nas outras éticas.

Na ética de Aristóteles, a virtude está no meio. Você não deve estar mais à esquerda ou mais à direita. Literalmente, a frase está correta. A sua interpretação, porém, deixa a desejar. Devemos vê-la como o termo médio de uma polêmica e não simplesmente a virtude está no meio. A virtude deve ser construida conforme a discussão for tomando corpo, isto é, passando de um extremo ao outro. Esta noção de ética dá direção à sua política. Diferente de Sócrates e Platão, que é da polis, de Atenas, Aristóteles é o filósofo do Império, do Império de Alexandre, o Grande. 

Somos o arcabouço de toda a história da humanidade. Às vezes parecemo-nos originais, mas uma acurada pesquisa mostra que a essência do que sabemos já fora veiculado pelos grandes pensadores da humanidade.

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